sábado, 17 de fevereiro de 2018

País número 32: Turquia

Então chegou o dia de realizar esse sonho de conhecer a Turquia. Não me lembro quando foi a primeira vez que li sobre esse país fascinante, mas lembro de acompanhar o caderno: viagens do jornal “O Globo” o qual meu avô tinha assinatura. Viajava com as fotos e lia atentamente as reportagens. Tinha 16 anos e sonhava em conhecer esses lugares. Cheguei a guardar, por anos, varios desses cadernos. Eu só não imaginava as reviravoltas que a vida daria para eu chegar onde estou hoje: capaz de ter conhecido, no atual momento, 32 países com 30 anos de idade. Estou mais calma: depois de 7 anos morando na Noruega, já viajei tanto que não tenho aquele desespero que me consumia antes. Mas a paixão por viajar continua me movendo a pegar aviões com destinos diversos. Talvez isso nunca vá mudar. Mas bem, vamos ao assunto: a Turquia!

Brasileiros nao precisam de visto, entao entrei com meu passaporte brasileiro. Os noruegueses precisam e parece que fazendo o visto com antecedencia online fica mais barato.

Minha primeira impressão ao sair do aeroporto Ataturk foi perceber o tamanho dessa cidade. Não é brincadeira: passamos por shoppings e prédios durante todo o caminho saindo do aeroporto. Não vi um campo ou espaço vazio, como costuma ser o caminho pro aeroporto em outros lugares do mundo.

Nos hospedamos em Taksim,a parte moderna da cidade, com muitos restaurantes, bares, festas. Caminhando até a movimentada praça Taksim e de lá pegamos o bonde até a parte antiga onde ficam muitas mesquitas famosas como a mesquita azul, que visitamos (entrada gratuita). Logo na entrada, passei por um balcão onde uma garota mal humorada me deu uma saia amarela até o pé e um lenço azul ridículos para cobrir meus cabelos em respeito à religião. Pegamos também uma sacola plástica para guardar os sapatos: ninguém entra de sapatos ali. O cheiro de xulé lá dentro estava insuportavel, não sei com que frequência eles lavam aquele tapete. Mas a mesquita realmente é bonita por dentro e na verdade foi a primeira vez que entrei em uma na vida, então foi interessante ver a arquitetura, os costumes e os azulejos azuis que dão nome à mesquita. A praça é bem bonita e eu achei a cidade, em geral, limpa. Acabamos entra do no Café Grande ali perto, e comemos uma sobremesa e chá com preços para turista. Valeu pela vista do local, mas no dia seguinte entramos na ruazinha desse café e comemos super bem em um restaurante turco com preço ótimo que servia pide (pizza turca). Visitamos também a Haga Sophia, uma antiga igreja ortodoxa do ano 537 que depois se tornou mesquita e por último, durante o governo do amado presidente Ataturk se tornou em um museu. A fila estava imensa, chegamos tarde porque bebemos e dançamos  o dia anterior e não conseguimos acordar cedo. Por sorte resolvi aceitar a oferta de um guia que apareceu ali na hora oferecendo, o guia era fantástico, por 100 liras pulamos a fila e aprendemos bastante da história do lugar. Ele já tinha consigo as entradas que custavam 40 liras por pessoa, o que nos salvou bastante tempo de fila. Guia em inglês e francês: Yusuf Akkaya, e-mail: yusufguide@gmail.com

Caminhando pelas ruas, a gente percebe o quanto o padrão europeu de beleza impera: muitas mulheres pintam o cabelo de loiro e vimos pelo menos uns 3 narizes recém-operador por dia. 
Não sofri assédio como imaginei, mas estou sempre com meu namorado, não sei como seria se estivesse sozinha. A gente vê muito mais homens que mulheres na rua, inclusive muitas barbearias e eu tive que rodar bastante pra achar um salão para mim. Fiz as unhas no estilo do Brasil, tirei cutícula e tudo até com direito a bife. Resolvi aparar as pontas do cabelo e hidratar, já que aqui é muito mais barato que na Noruega. As pontas acabaram virando um chanel já que a cabeleireira não falava inglês, ou quem sabe ela escolheu por mim o corte que me cairia melhor. A hidratação não aconteceu, nem condicionador passaram na lavagem. Vai ver acharam que eu não estava precisando...

A comida é ótima, meu namorado come uns 3 doner kebabs por dia, eu tento provar coisas novas como o borek (massa folhada) de carne com açúcar por cima... E outras coisas reconheço como a folha de uva recheada e as saladas com iogurte. A cerveja local é boa. 

Subimos também a torre de Gálatas, a entrada era 25liras e o lugar não oferece muito além de uma ótima vista da cidade, o que pra gente estava ótimo! Não checamos o café nem o restaurante da torre, pois sabíamos que seria grande a chance dos preços serem pra turista. 

Fizemos o tour de barco pelo Estreito de Bósforo: o canal que separa o lado asiático do lado europeu. Usamos a empresa Turyol, e por 15 liras por pessoa passamos uma hora e meia passeandopelo canal. Valeu à pena! No lado asiático moram as pessoas mais ricas, de frente pro canal e dali utilizam seus iates para locomoverem-se , as ruas são na parte de trás das casas, enquanto que no lado europeu as ruas são na frente.

Depois de 3 dias em Istambul, partimos rumo ao proximo destino: Cappadocia. Depois de comentar com meus sogros e namorado, descobri que a Cappadocia nao eh muito conhecida na Noruega. Ja eu, que sempre sonhei em ir a esse lugar, tive que convencer o namorado. Comprei nossas passagens de aviao para la pois seria muito tempo de onibus. Em uma hora de voo chegamos ao aeroporto de Nevsehir onde um transfer gratuito organizado pelo nosso hotel nos buscou. Era um micro-onibus entao levou algumas pessoas mas o nosso hotel, o Cappadocia Cave Suites foi um dos primeiros a chegar. A emocao em ver de perto as "fairy chimneys" aquelas cavernas em formato de chamine da Cappadocia me emocionaram.O hotel de luxo valeu cada centavo: o quarto 301 era esculpido na caverna que tem mais de mil anos. O quarto era imenso, com jaccuzzi, varanda etc. parecia mais um apartamento. Cafe da manha excelente tambem. Ja no primeiro dia fizemos o sonhado passeio de balao. Eu que tenho medo de altura comecei a ficar nervosa e meu namorado debochado rindo de mim. O nervosismo foi mesmo antes de comecar o passeio por que dentro do balao eu fiquei tranquila. Ele vai devagar e a paisagem e tao linda que por vezes esquecia onde estava. Todo dia (quando as condicoes climaticas permitem) saem 100 baloes. Cada um tem capacidade para umas 25 pessoas e estavamos cercados por chineses ja que eh o feriado de ano novo chines nessa data. O balao chegou a 700m de altitude. Foi lindo, emocionante e valeu muito a pena os 80 euros que paguei (por pessoa e depois de pechinchar). O passeio comeca bem cedo, nos buscaram as 6:30 da manha no hotel. La de cima vimos o nascer-do-sol. Inesquecivel.
Infelizmente depois do passeio os ventos mudaram. Comecei a ter uma desinteria terrivel que me durou quase 15 dias. A agua na Turquia nao eh potavel, nao sei se comi algo contaminado ou se foi a propria agua na hora de escovar os dentes... Realmente nao sei o que houve mas foi traumatico para mim. So tinha vontade de ficar no hotel, mas me esforcei para fazer algo com ele todos os dias, mesmo me sentindo muito fraca. Voltamos pra Istambul mas nossa vontade ja era voltar pra casa. Ainda tinhamos um dia e meio antes do voo pra Oslo. Fomos ao famoso Bazar (mercado) mas so olhamos. Nem eu nem ele somos dados à compras. No caminho de volta porem, vi uma loja de casacos lindissimos. Nao resisti e gastei uma grana com um casaco de couro e pele de ovelha feito la. E a profecia da minha amiga Carmen se concretizou: duvido voce voltar sem comprar nada de la. Eles sao otimos comerciantes.O casaco custava 700 euros na promocao. Eu disse que nunca pagaria tanto em um casaco, que nao era minha realidade. Depois de um tempo ele me ofereceu por 550euros e quando viu que nao ia rolar, me deu o preco final: 395 euros. Levei. Meu namorado emburrado dizendo que nunca pagaria tao caro em um casaco. Problema seu queridinho, o dinheiro eh meu. kkkkkk. To mesmo apaixonada pelo casaco, me deixem.

De volta à Istambul nos arrastando pela cidade que agora, soh tem mesquistas- pensavamos. Sao mais de 3 mil e ja estavamos de saco cheio de ver mesquita em toda parte. Me senti na Idade Media. O ponto alto da nossa ultima noite foi voltar ao melhor restaurante que fomos na viagem: Constantine's Ark. Alem da comida ser maravilhosa, tomamos um vinho da Mesopotamia (!!!) que eu achei o maximo, tanto o vinho como consumir algo da Mesopotamia (!!!) lembrei das minhas aulas de geografia na quarta serie. O dono do restaurante nos serviu, e eu nunca fui tao bem tratada em um restaurante antes. Ele realmente tem o dom de servir. Educadissimo, atencioso e explicava cada prato, cada vinho... Um luxo. O restaurante tocava musica ambiente e para a minha surpresa: musica brasileira! AMEI. Nas mesas com velas e uma rosa vermelha que no final era presenteada como um souvenir do restaurante. Para nossa surpresa, John, o dono do restaurante ofereceu nos levar ao hotel. Nao eh todo dia que o dono do restaurante nos da carona. Nota 10! Por conta disso, resolvi me despedir de Istambul com o que a cidade tem de melhor: a comida e bom servico. Me arrumei bem lindona e mesmo tendo que usar o banheiro do restaurante por 3 vezes, nao perdi a pose e nem desci do salto!
Afinal de contas, nem tudo sai como planejamos, dei razao ao meu namorado por nao querer ir à um paihs muculmano e decidi que ele decidira o proximo destino!


Um comentário:

  1. Maravilhoso conhecer um pouco da Turquia pela experiência sua Marcela! Você relata fatos incomuns,consegue passar para o leitor a sensação de como é a verdadeira cultura de la. Parabens e continue nos passando suas experiências até que um dia possamos passar as nossas tbm.

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