A alegria do povo brasileiro é linda. Antes de me mudar pro exterior pela primeira vez, quando tinha 19 anos e fui em busca dos meus sonhos nos Estados Unidos- mais especificamente Flórida, eu já tinha ido a algumas festas e visto como as pessoas se entregam facilmente aqui no Rio de Janeiro. À alegria. Diferentemente de lá, no tão famoso, desejado e idolatrado E.U.A, onde as pessoas viviam sendo entretidas e trabalhavam muito-não tinham tempo para a felicidade, ou não sabiam como fazer, ou tinham medo dela. Era na verdade triste viver lá, para uma pessoa que consegue ver um pouquinho mais do que o superficial. Eu percebia que havia algo de errado com as pessoas. Estranho- ou não? Que eu às vezes sinto a mesma sensação agora, morando na Noruega.
Lá o carro chefe do país não é o entretenimento- não existem shoppings imensos, produção frenética de filmes, ou grandes times como os de basquete nos Estados Unidos. As pessoas passam mais tempo na natureza, esquiando, andando de bicicleta, acampando na floresta, entre outras coisas mais. Essa é uma parte que eu gosto, talvez isso os ajude a encontrar o equilíbrio e serem pessoas mais calmas, pacíficas. Mas e a alegria? É difícil ver alguém morrendo de rir, dançando com um sorriso sincero de quem não quer mais nada além daquele momento. Vivendo o presente como um verdadeiro presente. Isso eu não vi muito por lá não. O álcool é a estratégia deles para ir um pouco mais além e deixar aflorar as emoções que estão reprimidas quase que por um todo no dia-a-dia. Não é incomum que se abracem, se beijem e façam muito mais do que isso após alguns copos. Naquele momento deixam de ser robôs e deixam aflorar por algumas horas o que está por baixo da casca. Pena que isso só aconteça talvez umas 5 ou 10 horas por semana?
Viver se reprimindo quebra a espontaneidade da vida. As crianças são ensinadas desde de pequenas a não olhar para as pessoas, a não falar com estranhos. Enquanto no Brasil, as crianças são ensinadas a mandar beijo e dar abraço nos estranhos, e o pai exibe orgulhoso o filho de 10 meses que já sabe demonstrar afeição.
O que fazer eu, com meu senso de humor, cultura lindíssima que transborda por todos os poros do meu corpo, para me adaptar por completo no país em que eu escolhi morar? Será que terei que sacrificar uma parte muito bonita de mim para ser aceita nessa sociedade? Será que devo parar de olhar para as pessoas na rua e por consequência disso parar de observar o que acontece ao meu redor? Não, não venha me dizer para olhar de canto de olho. Nunca aprendi isso com meus pais.